Sobre personagens femininos

Sim, esse post foi inspirado por esse aqui e esse aqui. Mas antes disso, eu já vinha pensando no papel secundário na mulher na literatura. Provavelmente isso se deu pela minha postura feminista  que nos ultimos tempos vem tomando conta de mim e me fazendo ser chamada de chata, revoltada e mal comida.

Daí, quando li o texto da Gizelli e fui responder suas perguntas, me dei conta de que realmente as mulheres são tratadas como plano de fundo da história, até mesmo quando é escrita por uma mulher! O que é realmente triste de se ver, pois já não basta a visão misógina e objetificada que os homens tem das mulheres, nós não merecemos isso de alguém que sofre o mesmo que nós.

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Porém, isso é completamente normal, é uma cultura enraizada, onde a moral feminina é duvidosa desde sempre, e mesmo que a mulher seja protagonista, ela está sempre atrás de um romance principal que a faz esperar pelo amor perfeito que vai salvá-la de uma vida de pura escravidão por uma madastra (ou da torre, da vida pobre com o pai, do anões do mal, whatever). E sim, concordo que melhor certo protagonismo do que protagonismo nenhum, afinal fomos caridosamente presenteadas com a retirada de nossa nulidade social e com o destaque histérico, frágil, virgem e com a visão de que a maior realização feminina seria o casamento.

Perdida em meio a tantas Bellas (Crepusculo), Anastasias (50 tons de cinza),  Bridget Jones, Becky Bloomns, eu não conseguia MESMO pensar num livro que não fosse PARA mulheres (quem disse que mulher quer ler sobre compras e amor sempre?) e não SOBRE mulheres. Dos livros que eu li, da maioria YA, só me lembro de Katniss (Jogos Vorazes) bem badass lutando por sua irmã e distrito; da Saba (Caminhos de Sangue #1), que começa como sombra do irmã e cresce de forma absurda na trama e o irmão mesmo só aparece no final; temos a Hermione, do Harry Potter, mas não é um protagonismo. Na categoria policial, a Trilogia Millenium (a mais fucking perfect do planeta) nos apresenta Lisbeth Salander como heroína.

Claro que não me contentei só com os que eu já li e perguntei para uns amigos. As sugeridas foram:

  • Serie Eragon, de Christopher Paolini – Elfa Arya;
  • Serie Starters, de Lisa Price – Callie.

E foi extremamente dificil conseguir esses dois nomes! Viu como é triste a história da mulher na literatura? Valíamos menos do que o cocô do cavalo do bandido da história, passamos por Catherine Earnshaw que lindamente abriu mão do seu amor, que era mais que seu próprio ser, por ele não ser digno financeira e socialmente; chegamos ao topo do mundo junto com Elizabeth Bennet (Orguho e Preconceito), arredia e que, veja só, tinha passado da idade de casar e ganhar um belo dote; e hoje somos representadas tanto por lindas virgens frágeis e pouco inteligentes quanto por heroínas ainda lindas, brancas, cisgênero e bissexual (fetiche de todo homem).

Sonho com o dia que a mulher totalmente livre de padrões estéticos, sexuais e amorosos ocupe as paginas dos livros que leio e que não seja chamada de aberração.

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  3. Infelizmente, foi dito tanto às mulheres no passado que elas eram inferiores, que até hoje está difícil fazer com que elas pensem diferente, não acha?

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