Eu sou Malala, por Malala Yousafzai e Christina Lamb

EU_SOU_MALALA_1380910708PMalala nasceu e vivieu em época de vários momentos importantes do Swat, no Paquistão. Conflitos indo-paquistaneses, ditadura, Osama Bin Laden, 11 de setembro e talibanização de seu vale. Com a sorte de ter nascido filha de um pai que além de não se importar de ter tido uma filha mulher, levou-a para a luta pelos direitos iguais à educação de todos, inclusive e, principalmente, de meninas, e de uma mãe que sempre os apoiou, Malala nos conta sua história.

Eu lia livros como Ana Karenina, de Tosltói, e os romances de Jane Austen. Confiava nas palavras de meu pai: “Malala é livre como um pássaro”.

Vivendo num país com um fanatismo religioso cego que tira vida de muitas pessoa, castiga e oprime mulheres, seria de se imaginar que a luta de uma ativista mulher e tão nova não seria fácil e chamaria a atenção. Malala é baleada no ônibus escolar  toda sua vida muda aí. Ela tomou muito mais voz, ficou mais reconhecida e criou o fundo Malala, direcionado a educação.

A história é linda, contive o choro em vários momentos (sempre), em publico. Toda fé, bondade e amor ao próximo a levou até onde está e isso encanta. Os livro, apesar de várias partes políticas e históricas que eu sempre me confundo, é muito fácil de ler e envolver. Muitos devem achar que essas partes são descritivas demais, tornando o livro mais sobre o vale e o país do que sobre o ativismo dela e do pai (que é muito presente, ele e Malala são quase um), mas acho que a intenção era essa mesma, mostrar o que a levou a todo esse engajamento, mostrar esse país pobre, abandonado na mão de fundamentalistas.

Comecei a entender que a caneta e as palavras podem ser muito mais poderosas do que metralhadoras, tanques ou helicópteros. Estávamos aprendendo a lutar. E a perceber como somos poderosos quando nos manifestamos.

É de se agradecer por Malala ter escrito esse livro, aos 15 anos, e mostrar seu lado da história. Meu feminismo e sede de conhecimento pela equidades sociais, raciais e de gênero só crescem com histórias assim, pois mesmo vivendo em uma região de extremo machismo e ignorância ela não parou de lutar.

É espantosa a diferença do Oriente e Ocidente. Enquanto aqui temos um machismo velado, que oprime praticamente indiretamente, aos pouquinhos, sendo quase inconsciente, lá a coisa é muito mais descarada, mulheres não saem sem a companhia de alguém do sexo masculino, mesmo que seja uma criança, é jogado ácido na cara pela falta de burca e não tem direito a educação. Isso deprime, mas pessoas como Malala nos dão esperanças.

No Paquistão, quando as mulheres dizem que querem independência, as pessoas acham que isso significa que não desejam obedecer a seus pais, irmãos ou maridos. Mas não é isso. Significa que queremos tomar decisões por conta própria. Queremos ser livres para ir à escola ou para ir trabalhar. Não há um trecho no Corão que obrigue a mulher a depender do homem. Nenhuma mensagem dos céus estabeleceu que toda mulher deve ouvir um homem.

Com tantos prêmios ganhos, incluindo o Nobel da Paz, ela me inspirou muito com sua simplicidade e até ingenuidade, sempre a frente e ao mesmo tempo com conhecimento limitado, Malala passa, muitas vezes, a imagem de uma simples adolescente e de uma grande mulher.

Terminei o livro suspirando, saia da sua zona do conforto e leia!

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  1. Camila

    Resenha maravilhosa!
    Malala é mesmo inspiradora. O discurso que ela fez na ONU, ano passado (dia do aniversário dela), foi de arrepiar.

    Só uma correção: ela não ganhou o Nobel da Paz, foi indicada – mas né, SÓ ser indicada, ainda mais na idade dela, deve ter sido uma honra.

    Adorei o blog, sem dúvidas vou voltar mais vezes 😀

  2. Nossa! Parece ser emocionante! Eu já tinha ouvido falar de Malala, com toda a repercussão que ela causou na mídia e sabia da existência do livro, mas não pensei que fosse tão encantador e corajoso. Me deu muita vontade de ler! Malala é um exemplo não apenas para a sua sociedade, mas sim para o mundo inteiro *-*

  3. Adorei! Há muito tempo que quero ler esse livro, muito tempo mesmo, e ainda vou levar mais tempo. Promessa de ano novo: Não comprar mais livros até ler todos os que tenho!

  4. Eu já queria ler este livro e agora com a tua opinião… *__*

  5. Nossa! Esse livro deve ser lindo!
    Toda vez que o vejo fico com vontade de ler, e saber que vou chorar me animou rs
    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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