TBR Novembro – Consciência Negra

Nos últimos anos, eu tenho me atentado muito ao tipo de livro que eu leio, se ele contém o tipo de mensagem que eu procuro sobre igualdade de gênero, sexualidade e, principalmente, racial. Pois como mulher negra quero me ver representada, não quero só ler sobre casais brancos a la Nicholas Sparks e Sophie Kinsela. Devemos encarar a literatura como algo social e crítico, que desperta movimentos e empoderamentos, que vai além da estética de um texto e do lazer.

Nesse caso, uma das formas de filtrar os livros que pulam na minha cara nas redes sociais e na livraria é saber se ele é 1) escrito por negra ou negro 2)se a ou a protagonista é negra ou negro. Claro que ter um personagem ou um autor negro não quer dizer que o livro vai fugir dos estereótipos negativos, que apontam para a estereotipação do negro, características que lembram sua escravidão e silenciando-o, coisa muito comum quando a questão raça é evidenciada em um livro. O negro é sempre colocado como objeto e nunca como sujeito da ação, sendo assim marginalizado na sociedade e tendo isso refletido na literatura. O ideal então é saber selecionar as obras disponíveis.

É perigoso classificar um livro como literatura “africana” ou “afro-brasileira”, mas essas geralmente trazem uma ideia de coletivo, de resistência e de representatividade de um povo. Narram a história do negro sem tazer a inferioridade que é comumente narrada nos livros, até mesmo de história.

Portanto, é importante abordar como o negro é visto na literatura, pois a sua representação o atinge de igual modo em sua prática social concreta. Por ter percebido a necessidade de desconstrução de um discurso hegemônico insistente na sociedade (e consequentemente em outras áreas), que eu sempre busco historias representativas para mim, então tentarei fazer uma serie de posts sobre livros que quero ler, ja li, ouvi falar etc.

Começo então com a minha lista de leituras para o mês de novembro, mês da consciência negra, comemorada oficialmente no dia 20 desse mês. São alguns e obviamente não terei tempo de ler todos em um mês, mas fica a dica para quem quiser livros fora da caixinha. Citarei somente livros que possuo, os desejados ficam para outro post.

ngrs

Kindred – Octavia E. ButlerDana, uma mulher negra moderna, está comemorando seu aniversário de 26 anos com seu marido quando é “transportada” abruptamente da California para o Sul. Rufus, filho de fazendeiro branco, está se afogando e Dana o salva. Ela viaja repetidamente através do tempo para as epocas da escravidão e cada vez se torna mais perigosa.

Fiquei sabendo da autora por um amigo e já amei assim que vi uns textos sobre ela. Octavia Butler foi uma escritora afro-americana, consagrada por seus livros de ficção científica feminista, e por inserir a questão da diferença e do racismo em suas histórias.

Esse livro não foi publicado no Brasil ainda, mas o ebook estava 4,90 dilmas na Amazon BR e tinha um conto (acho que é, tem poucas páginas) BloodChild de graça. Se você sabe inglês, vale a pena. Já estou lendo e gostando, a leitura é bem tranquila.

Lies We Tell Ourselves – Robin Talley: É 1959 e o primeiro dia de aula de Sarah na escola somente de brancos Jefferson High. Ninguém quer Sarah lá. Nem o governo. Nem os professores, muito menos os alunos, especialmente Linda. Sarah e Linda deveriam se odiar, mas quanto mais passam tempo juntas, menos a diferença importa. Ambas começam a sentir algo que nunca sentiram e que são determinadas a ignorar.

Olha quanta mistura, gente?!?Já quis na hora. Não lembro quanto paguei no ebook na Amazon BR, mas não estava caro. Por enquanto sem noticias dele por aqui também, então vale a dica para quem tem noção de inglês. Já dei uma olhada, curti, porém engatei em umas outras leituras, volto para ele depois.

Ébano – Minha Vida na África – Ryszard Kapuscinski: Durante quarenta anos, Ryszard Kapuscinski percorreu o continente africano como correspondente da agência de notícias polonesa PAP. A memória do escritor concentra-se no cotidiano dos pequenos vilarejos e povoados. A África que o jornalista descreve é aquela da gente comum: vendedores ambulantes, motoristas de ônibus, desempregados, trabalhadores das minas. Em textos curtos, que combinam observação jornalística e habilidade literária, o autor faz um retrato da variedade cultural africana. Como ele próprio escreve, “a África é um continente demasiadamente grande para ser descrito. É um verdadeiro oceano. Um planeta diferente, composto de várias nações, um cosmo múltiplo. Na verdade, a não ser pela denominação geográfica, a África não existe”.

O autor foi um jornalista e escritor polaco. Durante dez anos viajou pelo mundo e fez a reportagem de guerras, golpes e revoluções na África, Ásia, Europa e Américas. Fez amizade com Che Guevara na Bolívia, Salvador Allende no Chile e Patrice Lumumba no Congo. Ao longo da sua vida presenciou 27 revoluções e golpes, esteve em 12 frentes de guerra, e foi condenado ao fuzilamento por quatro vezes.(Fonte: Wikipedia)

A avaliação do livro é boa no Skoob e por ser um livro jornalístico, fora da minha zona de conforto, além de a visão do autor parecer não eurocêntrica, me despertou mais vontade de lê-lo.

As Doze Tribos de Hattie – Ayana MathisEm 1923, aos quinze anos, Hattie Shepherd deixa a Geórgia para se estabelecer na Filadélfia, na esperança de uma vida melhor. Mas se casa com um homem que só lhe traz desgosto e observa indefesa quando seu casal de gêmeos sucumbe a uma doença que poderia ter sido evitada com alguns níqueis. Hattie dá à luz outras nove crianças, que cria com coragem e fervor, mas sem a ternura pela qual todos anseiam. Em lugar disso, assume o compromisso de preparar os filhos para as calamitosas dificuldades que certamente enfrentarão e de ensiná-los a encarar um mundo que não os amará nem será gentil. Contadas em doze diferentes narrativas, essas vidas formam a história da coragem monumental de uma mãe e da trajetória de uma família.

Foi um dos livros do Clube de Leitura da Oprah. Não preciso dizer mais nada.

Saber do negro – Joel Rufino dos Santos: O livro resultou de uma pesquisa intitulada “Relações Brasil-África entre os séculos XVI e XIX”, realizada por Joel Rufino dos Santos. Entre os produtos da pesquisa, este livro, em particular, discute, com uma abordagem historiográfica, o papel desempenhado pelo negro na história do Brasil.O texto procura simultaneamente fazer um levantamento do que o negro sabe, do que se sabe sobre o negro e, na confluência dessas duas vias, do que o negro sabe de si, a visão sobre si mesmo que o negro vem construindo no Brasil. O tema é desenvolvido sob três aspectos, que costumam ser considerados como as etapas da história dos negros no Brasil: a rebeldia expressa nos levantes escravos e nos quilombos, a marginalização dos ex-escravos e seus descendentes, e a luta contra o racismo configurada no movimento negro moderno.

Vi na livraria e ia chorar se não trouxesse. Quis tanto e nem comecei. Quem nunca? Mas esse é o momento.

A Cor Púrpura – Alice Walker: O livro narra a comovente trajetória de uma mulher negra na racista América do início do século passado. A Cor Púrpura é um romance feminista sobre a força e dignidade do espírito humano. Aline Walker foi vencedora do Prêmio Pulitzer em 1983.

Eu não vi o filme, mas ele é famosíssimo por causa da Whoopi Goldberg. Quase chorei quando consegui ele para troca. Talvez ele passe na frente de várias leituras.

Sobre A Beleza – Zadie SmithHoward Belsey é inglês, branco, professor de história da arte e vive há anos em Wellington, cidade universitária da costa leste dos Estados Unidos. É um liberal radical, especialista em defender as cotas universitárias e desmascarar os mitos de beleza e gênio artístico. É casado com Kiki, uma enfermeira negra americana, e tem três filhos – Jerome, Zora e Levi. A vida dos Belsey se complica quando Jerome vai para a Inglaterra fazer um estágio com Monty Kipps, negro, professor ultraconservador e maior inimigo de Howard. Jerome se apaixona pela filha de Monty, Victoria. O caso é dissolvido, mas pouco tempo depois toda a família Kipps se muda para Wellington. Quando as vidas dessas duas famílias se entrelaçam, uma série de embates acadêmicos, relações extraconjugais e choques entre identidades culturais forçam os Belsey e os Kipps a reverem suas convicções teóricas e o lugar da beleza e do amor em sua vida.

Fiz aloka quando comecei a pesquisar sobre a autora, sobre as obras dela (Dentes Brancos e NW) e simplesmente cismei que eu precisava dele na minha vida. Está lá esperando para ser lido.

Zadie Smith, descendente de ingleses e jamaicanos, lançou aos 24 anos seu primeiro livro, “White Teeth” que vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares nos países de língua inglesa e foi traduzido para mais de 20 línguas. Ganhou prêmios como o Guardian First Book Award, o Whitbread First Novel Award, o Commonwealth Writers Prize e o Orange Prize de ficção. Também foi indicada pela revista Granta, em 2003, como uma das melhores jovens romancistas britânicas e ao Man Booker Prize, em 2005, com o romance “On Beauty”, traduzido aqui como Sobre a Beleza. (Fonte: Skoob)

Farei esforço para ler pelo menos metade desses e/ou iniciar alguns. Já leu algum, tem vontade, já ouviu falar ou nunca? Me indiquem mais autores nacionais, senti falta nessa lista.

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