|Novembro Negro| Sobre a beleza, por Zadie Smith

Uma história de duas famílias rivais. Na verdade, os patriarcas, professores universitários, dessas famílias se odeiam e a vida acadêmica deles, e dos filhos, é complicada e cheia de conflitos. São duas famílias de intelectuais, bem instruídas, com aparências a manter perante a sociedade. Uma conservadora, outra liberal. E, entre traições, sexo e decepções amorosas, eles vão vivendo, sempre ligados um ao outro.

Para mim seria mais uma história se os personagens principais não fossem negros. Durante e no final da leitura só conseguia me lembrar do discurso lindo que a Viola Davis, primeira mulher negra a ganhar Grammy de melhor atriz, fez na premiação, ainda esse ano: “[…] a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade.” E nesse livro não deixou de ser isso, o que o separou de ser mais um livro sobre brancos e passar a ser um livro sobre negros bem sucedidos, em um ambiente intelectual, lutando por direitos (ou lutando contra), fazendo parte de um departamento importante dentro da universidade, falando sobre historia da arte, tendo qualquer problema que qualquer um tem, foi a OPORTUNIDADE.

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Sinopse: Howard Belsey é inglês, branco, professor de história da arte e vive há anos em Wellington, cidade universitária da costa leste dos Estados Unidos. É um liberal radical, especialista em defender as cotas universitárias e desmascarar os mitos de beleza e gênio artístico. É casado com Kiki, uma enfermeira negra americana, e tem três filhos – Jerome, Zora e Levi. A vida dos Belsey se complica quando Jerome vai para a Inglaterra fazer um estágio com Monty Kipps, negro, professor ultraconservador e maior inimigo de Howard. Jerome se apaixona pela filha de Monty, Victoria. O caso é dissolvido, mas pouco tempo depois toda a família Kipps se muda para Wellington. Quando as vidas dessas duas famílias se entrelaçam, uma série de embates acadêmicos, relações extraconjugais e choques entre identidades culturais forçam os Belsey e os Kipps a reverem suas convicções teóricas e o lugar da beleza e do amor em sua vida.


A narrativa não tem pressa, Zadie Smith constrói os personagens com o tempo através das páginas, fazendo assim com que o núcleo principal se expanda através das mais de 400 páginas , dando espaço para o dia-a-dia dos professores, alunos e a universidade em geral.

Ela também é bem-humorada e ás vezes tragicômica, me peguei rindo sozinha no metrô em algumas partes, e as reviravoltas são constantes no livro, sempre nos dando a impressão de que as coisas irão desandar a qualquer momento. Em algumas situações essa calma nas descrições se torna aflição e não conseguimos ir muito a fundo nos personagens e nem completar alguns buracos deixados em aberto. Tem muita coisa entrelinhas, em suspensão, e ficamos com a sensação de que a autora poderia ter nos dado muito mais.

Foi um livro valioso para mim, achei elegantíssima a narrativa da Zadie Smith e muito válido a inserção da questão racial na trama. Tendo como plano de fundo uma família interracial liberal e uma negra conservadora, além do problema social dos imigrantes haitianos e da população negra de baixa renda, as questões são bem discutidas, tanto a da posição e beleza da mulher, principalmente negra, ao longo dos anos e do seu casamento, quanto a questão das cotas e da inserção da comunidade na universidade.


No post anterior, falo sobre ficção x realidade, a representação do negro e os preconceitos que sofremos na vida e não só na literatura. Esse livro é citado, tendo destaque em algumas partes que achei importante 🙂 CLIQUE AQUI

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