Hibisco Roxo, por Chimamanda Ngozi Adichie

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Hibisco roxo é ambientado na Nigéria e narrado em primeira pessoa por Kambili, uma adolescente, filha de um homem rico e famoso do ramo industrial do país que inferniza e destrói aos poucos a vida de toda a família devido a sua extrema religiosidade “branca” e católica. Contraditoriamente, o patriarca Eugene castiga seus filhos e esposa, argumentando ser para o bem, e doa milhares para pessoas carentes além de apoiar um dos jornais mais progressistas do país. O pavor de Eugene pelas tradições primitivas do povo nigeriano é tanto que ele repudia até mesmo seu próprio pai.

Com horários pré-programados rigidamente, castigos severos que envolvem surra com cinto e queimaduras com água quente, Kambili e seu irmão Jaja conseguem alguns dias de liberdade com sua tia Ifeoma, professora universitária, questionadora, viúva e bem resolvida e seus 3 filhos. A partir desse contato que Kambili e o irmão observam que mesmo pobres seus primos e tia são muito mais felizes.

Diferentemente de Americanah, que trata muito da questão racial e de toda a questão do negro nos EUA, esse romance trata de violência doméstica, opressão religiosa e machismo através de uma representação bem atual e original do remanescente invasivo da colonização na Nigéria e no restante do continente africano. Apesar de um assunto pesado, Chimamanda consegue deixar toda a narrativa bem fluida e a leitura rápida, pois vemos isso pelos olhos de Kambili em suas aventuras, amor platônico e inseguranças. A inclusão de um padre nigeriano, na minha opinião, constratando totalmente com o que Eugene prega, foi essencial. Paralelamente nós vemos que é possível equilibrar a religiosidade (nesse caso o catolicismo, uma herança dos brancos colonizadores) com a cultura e tradições de um país.

Esse é um livro que leva você. Bonito na narrativa, extremamente delicada, onde se sente a angústia e a dor dessa família, rico nos detalhes sobre a Nigéria e na relação entre pobreza x riqueza e fé x fanatismo. Acho que ele pecou em algumas partes do desenvolvimento da história, mas fiquei tocada com muitas passagens, principalmente com o final. É um livro forte sobre tornar-se adulto, mulher e principalmente em tornar-se livre. Chimamanda não decepciona.

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  1. Thamiris Alves

    preciso ler esse livro, amo a autora! Estou para ler Meio sol amarelo ❤

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