Meio Sol Amarelo, por Chimamanda Ngozie Adichie

Traduzido para 27 línguas, ganhador de alguns prêmios, entre eles o Orange Prize (que agora é chamado de Women’s Prize For Fiction. Sim, ele só premia mulheres), em 2007, Meio Sol Amarelo foi um dos casos em que peguei para ler sem saber exatamente do que se tratava, afinal era Chimamanda e eu não perco uma chance de ler o que ela escreve. Pago pau, quero ser amiga e fazer tranças nela enquanto a gente fofoca.

Passada na sangrenta guerra que se segue à tentativa de secessão e criação do estado independente de Biafra, na Nigéria, temos uma historia contada por meio de três pontos de vista – de duas irmãs gêmeas não idênticas, além de um jornalista britânico e um garoto que trabalha na casa do namorado de uma das duas irmãs. Todos os personagens tiveram sua humanidade desenvolvida ao longo do livro e da guerra civil, até o branco que eu achei que só ia fazer cagada! A descrição que Chimamanda faz da guerra civil e das suas consequências, do cotidiano daquele país, dos conflitos políticos e essa humanização dos personagens é maravilhoso. Nascida sete anos após o fim dos combates, ela conta como se tivesse lá quando tudo ocorreu. A sua narrativa, toda passada em interiores domésticos, reflete de forma sutil o terror que atravessou todo país.

Meio Sol Amarelo é um tributo às muitas vítimas da guerra do Biafra, um conflito civil que destroçou a Nigéria entre 1967 e 1970. “No pico da crise humanitária, cinco mil biafrenses morriam todos os dias de fome e doença. O Governo nigeriano agravou a situação ao proibir o auxílio da Cruz Vermelha Internacional. A guerra do Biafra foi o primeiro grande desastre humanitário provocado por um conflito de origem étnica, após o Holocausto. Foi também o primeiro conflito armado do século XX em África, entre africanos.

Livro nenhum deve ao leitor ser porta de entrada para algum tipo de literatura ou identidade, mas eu acredito que esse livro, assim como Hibisco Roxo, também da autora, servem sim como análises de um período que se passa/passou ou de uma cultura diferente da nossa. Porque a África ainda é um continente muito fragilizado e estigmatizado, portanto é bom termos alguém que fale “olha, estamos aqui, isso acontece, mas não é tanto do jeito que vocês falam”. E um livro que te transporta para uma outra realidade já é um livro que vale a pena.

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E sobre esse tipo de estereótipo que sempre temos sobre um assunto, nada melhor do que a própria Chimamanda discursando sobre o perigo da história única, no TED. Só clicar aqui e assistir. Tem legenda em português 🙂

Nesse livro há um grupo de intelectuais nigerianos (eu sempre acho divertido e tenso quando intelectuais são citados, por diversos motivos. Devo me explicar em uma outra resenha) que claramente rejeitam a posição de superioridade dos brancos no país, porque, você sabe, branco tem que salvar todo mundo. Em diversos momentos eles se encontram e discutem descolonização, apropriação cultural, pan-africanismo.

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Fica um entendimento sobre o racismo, a degradação cultural, a discussão entre tribos, a invisibilidade de um continente inteiro.

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É uma história forte, de um momento político forte, onde muita gente morreu de fome ou com a guerra, tentando um pouco mais de liberdade. E, claro, isso não é contado por aí.

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Para comprar o livro: Meio Sol Amarelo, na Amazon 🙂

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