#Lendocasagrandeesenzala – Parte III – O Colonizador português: antecedentes e predisposições

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Esse capítulo apresenta uma longa (bem longa mesmo, bastante detalhes) análise das origens sociais dos portugueses. E, como sempre, volta as teses centrais de êxito da colonização, elogio da miscigenação e as grandes qualidades dos portugueses. O mesmo português que trouxe escravos da África atravessando o Oceano em condições completamente insalubres, mas que também foi capaz de miscigenar amigavelmente com os seus escravos. Analisa ainda a ascensão portuguesa pela agricultura e atribui a decadência ao mercantilismo.

Há também no capítulo análise da influência árabe e do papel da cultura moçárabe (árabes convertidos ao cristianismo) na cultura portuguesa.

Finalmente, há neste capítulo a justificativa quase explícita da escravidão. “No caso brasileiro, porém, parece-nos injusto acusar o português de ter manchado, com instituição que hoje tanto nos repugna, sua obra grandiosa (sic) de colonização tropical. O meio e as circunstâncias exigiriam o escravo. ” (pág. 322).

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Varnhagem, que critica o caráter latifundiário e escravocrata da colonização, lamenta não seguir o sistema das pequenas doações. Mas Freyre não acredita que poderia dar certo devido as condições do continente como os insetos devastadores, secas e inundações.

“Tenhamos a honestidade de reconhecer que só a colonização latifundiária e escravocrata teria sido capaz de resistir aos obstáculos enormes que se levantaram à civilização do Brasil pelo europeu. Só a casa-grande e a senzala. O senhor de engenho rico e o negro capaz de esforço agrícola e a ele obrigado pelo regime de trabalho escravo”. (pág. 323)

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Não esconde a violência contra esses escravos, mas gosta da justificativa da necessidade disso na formação da sociedade. Acredito que o segredo de Freyre é a sua dialética, por isso seu ensaio é tão notável. E trazendo o tema complexo que é a sociedade no Brasil colonial e imperial, ele faz afirmações contraditórias. Não é apenas que a escravidão é terrível mas necessária. Não é apenas que houve grande harmonia entre brancos e negros. Em tudo a contradição está presente. Mas não se tenha dúvida que é uma contradição contaminada de ideologia conservadora e justificadora.


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