#Lendocasagrandeesenzala – Parte IV – O escravo negro na vida sexual e de família do brasileiro

Muito feliz de ter chegado até aqui, mesmo com alguns desafios como passar por capítulos bem chatos, palavras difíceis e alguns fatos revoltantes. Já me encaminho para a quinta e ultima parte e estou muito satisfeita com o projeto ❤

Mas então, a quarta parte. Nesse capítulo, Gilberto Freyre foi mais “generoso” em relação a história e agora mais que nunca percebo o quanto ele foi bom em escrever e o por quê do livro ter sido e ainda ser tão bem aclamado. Ele, mesmo com sua dialética, torna a história bem agradável, nos traz aquele “saudosismo”, até para mim que seria uma escrava no Brasil colonial.

casa grande e senzala negros capitulo IV.jpg

Nessa parte do ensaio fala pouco da importância do negro na vida estética e econômica do Brasil. Ele trata então do papel do negro escravo na formação sexual e da família brasileira. Ainda aclama a miscigenação do nosso país e faz referências à personalidade dos negros enquanto sua origem das regiões africanas, algumas regiões sendo preteridas à outras.

Passa pela escolha das amas de leite, mucamas, irmãos de criação para os meninos brancos e das que serviam ou não sexualmente para o sinhô. Essas, selecionadas por serem mais bonitas, asseadas e que passavam uma imagem de maior submissão e obediência à moda europeia.

Freyre continua exaltando como os nossos escravos eram melhor tratados em relação aos do restante da América, como os EUA. Uma coisa bem materna, as escravas eram como da família, eram respeitadas não como se fossem escravos, mas como parentes pobres; até sua forma de criarem o filho da sinhá branca era aceito devido à essa personalidade portuguesa mais amansada e relaxada. Quanto às mães pretas, ocupavam lugar de honra na família patriarcal, mesmo alforriadas. Alguma semelhança com os dias de hoje?

casa grande e senzala escrava ama

Ama escrava e menino Augusto Leal (c. 1860).

Mas alguns pesquisadores ainda reclamavam dessa criação das senhoras escravas. Eles culpavam esse relaxamento dos moradores da casa-grande pela má criação das crianças (meninos falando errado, desobedientes, desleixados…). Vale lembrar ainda que, segundo interpretação de Freyre, eles culpam o escravo e não “ao negro, ao africano, à ‘raça inferior’, as funestas consequências da senzala sobre a casa-grande”. Mais ao fato social do que ao étnico.

É deixado claro porém, a maldade da sinhá-moças que casavam cedo, com quatorze, quinze anos, tinham filho cedo e não possuíam corpos fortes o suficiente para tal.  Era importante então o papel da ama de leite e das mucamas, quando a criança sobrevivia. As sinhás não possuíam nenhuma ocupação além de criar os filhos e castigar suas escravas, mandavam-lhe cortar os seios e arrancar-lhes os olhos, por ciúmes dos maridos ou por pura implicância.

Os irmãos negros de criação dos meninos brancos eram dados a eles bem jovens e usados como cavalinho e toten. Freyre ainda cita um trecho de Memória Póstuma de Brás Cubas, de Machado de Assis, onde o pequeno Brás fala de sua malvadeza e do gosto de judiar com o negro.

Esses ainda meninos brancos tinham sua vida sexual inicializada muito cedo e a postura da casa-grande era responsabilizar a negra da senzala pela depravação do seu filho e a transmissão de doenças. Diz Freyre que “ninguém nega que a negra ou  a mulata tenha contribuído para a precoce depravação do menino branco da classe senhoril; mas não por si, nem como expressão de sua raça ou do seu meio-sangue: como parte de um sistema de economia e de família: o patriarcal brasileiro”. Concordaria se ele não tivesse dito antes que o que a negra da senzala fez foi “facilitar a depravação com sua docilidade de escrava; abrindo as pernas ao primeiro desejo do sinhô. Desejo não: ordem.” Percebe o quanto ele é contraditório?

casa grande e senzala edição editora global

Fala-se muito também da religião – catolicismo- como ponto de encontro entre as duas culturas, a do senhor e a do negro. Mas precisamos considerar que o catolicismo foi aceito pelo negro devido a uma grande pressão social da parte dos colonos, levando-os até mesmo a catequizar os novos pretos que chegavam nos navios negreiros.

No início, assim como se fala da personalidade do negro de acordo com a região que se originava, citou-se trabalhos de pesquisa, feitos até o ano de publicação dessa obra, sobre a inferioridade do negro, devido ao tamanho e peso do cérebro e da capacidade do crânio. Cita-se ainda a superstição da raça ser a mais próxima da forma ancestral do homem semelhante ao chimpanzé.

Concluindo-se com depoimentos de antropólogos que revelavam nos negros traços de capacidade mental em nada inferior à das outras raças.

casa grande e senzala chimpane e o negro

Vê porque não somos todos macacos?

Esse capítulo fala muito de como a presença do negro moldou nossa sociedade hoje, desde a gramática e fonema das palavras – principalmente na Bahia, umas das partes mais interessantes de se ler – até a sexualização das mulheres negras hoje em dia. Foram tantas informações que eu espero ter conseguido sintetizar aqui e ainda fazer você ter vontade de ler e tirar suas próprias conclusões.


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Bom fim de semana de leituras,

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