Projeto #lendocasagandeesenzala – Parte V e Encerramento

100_0974

Os dois últimos capítulos de Casa-Grande e Senzala descrevem o escravo na vida sexual e de família dos brasileiros. A afirmação da miscigenação como motivo de várias ações dos colonos continua sendo o assunto central. Ela ainda serve como motivo, ou desculpa, para o caráter de seleção eugênica tomada por ela: os senhores escolhiam as escravas mais sadias e mais bonitas para se misturarem. Interessante também falar que os padres, exceto os jesuítas, também procriaram à vontade, produzindo muitas vezes uma elite mulata e arrivista, acusada de roubar e descentralizar riquezas conquistadas geração pós geração.

E ainda há muito mais: higiene ou falta dela, a medicina e a saúde, indolência, adoção pelas famílias escravas do nome de seus senhores, os senhores adotando nomes indígenas depois da Independência, testamentos, alforrias nos testamentos (por mera culpa e medo de ir para o inferno), enterros quase nobres dos negros de estimação feitos pelos senhores, analfabetismo das senhoras e sua virtude (discutível), prostituição das negras a serviço dos senhores.

E sobre este ultimo tema uma frase notável:

a virtude da senhora branca apóia-se em grande parte na prostituição da escrava negra”.

A pureza das senhoras que os viajantes aqui viam era defendida pelos corpos das negras que bastavam para os don-juans, bloqueando assim, os ataques e assédios destes.

Outro tema citado (e que me deixou com água na boca) é a culinária, traço importante da infiltração da cultura negra. Expõe-se que, depois da Independência, os costumes sofreram forte influência europeia. Porém, os escravos que preparavam para a mesa do senhor branco carnes e peixes, alimentavam-se melhor nas suas senzalas, conservando no Brasil a saudável predileção africana pelos vegetais, assim sempre acompanhando seus pratos de carnes com verduras (quiabo, couve, taioba e jerimum). Toda o costume, principalmente baiano, das negras vendendo tabuleiros de doces, acarajé, vatapá, caruru, tapioca, todos são advindos do negro.

Apesar de exaltar a miscigenação e a alegria do povo negro, sua cultura e cânticos, durante todo o livro – o que chega a ser um absurdo considerando a escravidão, único regime aceitável puramente por ser o único jeito de uma economia se erguer, incluindo funções humilhantes como o carregamento de latas com excrementos dos senhores para serem lavados e castigos físicos e morais – Freyre temina o livro afirmando que não foi de toda a alegria a vida dos negros. Haviam os que se suicidavam comendo terra, enforcando-se, envenenando-se. Muitas vezes por saudades da África.

Porém, mesmo sendo uma grande pesquisa e contribuição com muitos detalhes para a história do Brasil e da escravidão que a ergue, é explícito a perspectiva branca e de senhor do nosso autor. Mesmo que muitas vezes ele valorize a cultura e comportamento negro como forte influência da nossa “brasilidade”, apontando a mestiçagem como algo positivo, fica, como diz o prefácio, “uma sensação de nostalgia do ‘tempo dos nossos avós e bisavós’. Maus tempos, sem dúvida, para a maioria dos brasileiros.”


Encerro aqui as postagens sobre essa leitura que me trouxe muito aprendizado, tanto pelo confirmação de que devemos sempre buscar informação sobre as perigosas histórias únicas, quanto pela carga de informações fornecidas e reunidas como nesse livro, fruto de um trabalho excepcional.

Espero muito que alguém se inspire e se anime para a leitura de Casa-grande e Senzala. Se sim, use a hashtag #lendocasagandeesenzala e me avise ❤

Até a próxima (que já estou programando) !


Para ver os outros posts do projeto Clique aqui.

E para comprar o livro Casa-Grande & Senzala, na Amazon:)

(Ou ainda comprando qualquer livro POR ESSE LINK você ajuda o blog a crescer)

Assinatura_livrododia

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: