Livros Feministas para Mães – Dicas de presente

Domingo está se aproximando e aposto que você já buscou no google “presentes criativos para mãe”. Eu já. Todo ano a mesma coisa: biju, roupa, bolsa – mas produtos de casa JAMAIS, desde que eu pude decidir o que dar, a não ser que ela pedisse. Já fiz cestas com comida também. E dei livros (eu sou chata e tenho dado livros de presente, para todos).

A minha mãe lê, as vezes mais, as vezes menos. Mas gosto muito de quando a vejo deitada na cama lendo. Faz parte das minhas lembranças ter começado a ler por incentivo dela (ela e minha tia me dando livros de presente), me levado na biblioteca para pegar livros emprestados e ter me deixado ser quem eu sou. Inclusive ela fala sempre de que eu fui “chata” quando criança, como a irmã mais velha dela “Beatriz sempre ficou sentada lendo enquanto as outras crianças brincavam e corriam”. É porque eu caía e me machucava, gente. Sério.

Esse ano eu e meu irmão compramos uma joia para ela e eu fiz um caderno artesanal com várias fotos da nossa família hétero-cristã-padrão na capa que ficou LINDO. Sim, já compramos o presente e isso é raro.

Caso você não tenha comprado e precise de umas dicas, eu trouxe livros bem legais que falam de maternidade. Eu tenho e já li, minha mãe também os tem disponível aqui para pegar e ler, já que a maioria dos meus livros fica na casa dela ❤


  • A Mulher desiludida – Simone de Beauvoir

a mulher desiludida - simone de beauvoir-livro do dia (2)

Um livro com três contos que falam da relação da mulher com a maternidade e a vida familiar. Ele já foi falado aqui no blog com mais detalhes.

Temos os contos A idade da descrição e Monólogo que falam sobre maternidade de formas diferentes. O primeiro fala de uma senhora de meia idade, registra com amargura a deterioração do seu relacionamento com o filho e a inutilidade de seu exemplo dado a vida toda. Acompanhamos então os dilemas de uma mulher ao envelhecer.

Já em Monólogo, Murielle, a personagem e mãe dessa história, tenta lidar com sua solidão, casamentos que falharam e o suicídio de sua filha. Até onde uma mãe pode se culpar?

Onde encontrar o livro: A mulher desiludida

  • As Doze Tribos de Hattie – Ayana Mathis

Esse foi uma das leituras do Novembro Negro, em 2015. Livro que fez parte do Clube do Livro da Oprah e que muito me chamou a atenção desde sempre.

Esse livro é breve, mas bem escrito, com um entrelaçamento de narrativas. São doze capítulos, cada um narrado por alguém da família de Hattie, que dá nome ao livro. Essas doze diferentes narrativas formam a história de uma mãe e da trajetória de uma família.

Ele é pesado na questão familiar e na questão histórica. Segundo a autora, em uma entrevista dada à Oprah, as 12 tribos são uma metáfora, sobre sair de uma prisão para a liberdade, o que tem a ver com a ideia da Grande Migração, um movimento no qual afro-americanos saíram do sul para o norte dos Estados Unidos, fugindo de leis que separavam negros dos brancos  na tentativa de melhorar de vida. as dozes tribos são os filhos e netos de Hattie

Onde encontrar o livro: As doze tribos de Hattie

  • O primeiro homem mau – Miranda July

Já falei dele aqui no blog também. Ele é cínico e extrapola o convencional. É bem performático, assim como acho que a autora é. Tem lesbianidade, tem mulé independente, neurótica, espírito materno, obsessão sexual, defesa pessoal… é muita coisa misturada.

A maternidade é falada aqui através da relação da protagonista Cheryl com Clee, filha de seus chefes que se hospeda na casa dela, mesmo que elas tenham um envolvimento amoroso; e também de Cheryl e a adoção de uma criança. É bem comovente e diferente. Não foi um livro que me encantou muito, mas vi muita gente que gostou.

Onde encontrar o livro: O Primeiro Homem Mau

  • Eva – Ana Carey

Primeiro de uma trilogia, Eva é um Young-adult (ya) de leitura muito fácil e rápida, é uma distopia que conta a história de meninas que são criadas completamente isoladas de homens, inclusive são ensinadas que eles são maus e perigosos. São criadas assim para serem parideiras e as procriações serem controladas.

Gostei porque toca muito na questão atual (porém antiga) de como a mulher deve se comportar socialmente, do que deve saber para ser aceitável. E, claro, do papel da mulher que, aqui é explícita essa obrigação, enquanto na nossa sociedade não tanto, apenas assusta e indigna pessoas caso você fale que não quer ter filhos.

Tem também, além de romancezinho, sororidade. Li em uma sentada, e leria o segundo volume da trilogia.

Esse livro foi citado nas minhas leituras de agosto de 2015 e você pode encontrá-lo aqui.

Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver

precisamos falar sobre o kevin livro feminista.jpg

Bom, acredito que existem várias formas de interpretar esse livro. Para mim, ele fala muito da questão da maternidade. Começa com uma mulher independente, com um estilo de vida e um trabalho que exigia uma grande dedicação, querendo um filho para preencher e melhorar algo em sua vida, daí sua relação difícil desde cedo com a criança; e a então tragédia, onde ela é considerada culpada somente por ser mãe.

Fala muito de como uma mãe é vista socialmente e também de amor materno, do papel dos pais na vida de um filho. O nome do livro deveria ser “Precisamos falar sobre a culpabilização das mães dos Kevins”.

É um dos meus livros favoritos e pretendo reler em breve.

Onde encontrar o livro: Precisamos Falar Sobre Kevin


Foram esses que lembrei das minhas leitura, pelo menos das mais recentes. São livros de ficção e acessíveis.
A Isabela do Para Beatriz fez um post no ano passado sobre diversos livros, nem todos sobre maternidade feminista, mas de diversos assuntos relacionado ao feminismo, a questão da mulher e criança.

Você incluiria mais algum na lista?

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  1. Thamiris Alves

    Eu li Precisamos falar sobre o Kevin e concordo com vc, comentei o tempo todo com minha mãe enquanto estava lendo. Ela sabe a história por tabela, porque eu não conseguia ficar quieta e precisava discutir com alguém, muito inquietante.
    Preciso ler algo da Simone de Beauvoir.

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